sábado, dezembro 25, 2010







Não me lembro mais qual foi nosso começo.
Sei que não começamos pelo começo.
Já era amor antes de ser.


(Clarice Lispector)

Bingo!
Não foi à toa que Adélia Prado disse que "erótica é a alma". Enganam-se aqueles que pensam que erótico é o corpo. O corpo só é erótico pelos mundos que andam nele. A erótica não caminha segundo as direções da carne. Ela vive nos interstícios das palavras. Não existe amor que resista a um corpo vazio de fantasias. Um corpo vazio de fantasias é um instrumento mudo, do qual não sai melodia alguma. Por isso, Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: "continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos?"


Rubem Alves
“O que eu tenho nesse instante, é um sabor inédito de beijo a cada beijo, um número de celular indispensável na minha agenda, uma cor de olhos que não sei definir com precisão, um corpo que se encaixa perfeitamente ao meu e uma conversa que me mantém fascinada.”



Martha Medeiros (Ternamente adaptado)

sexta-feira, dezembro 24, 2010








Ela ainda era nova, embora já tivesse passado por uma vida de experiências inimagináveis. Não gostava do que a maioria de seus amigos gostavam, um pouco anti social, gostava mesmo era de não se amarrar a nada nem a ninguém. Alguns muitos a julgavam prepotente, quem a conhecia bem sabia que aquele jeito nada mais era do que o seu jeito de se defender das efusividades do mundo. Era a rainha da internet, até amigos de verdade ela fez por lá. Gostava de lugares sujos e de futebol. Tinha os cabelos curtos, tatuagem e ouvia Beatles.
Não era bem o que podemos chamar de "princesinha", mas tinha um quê de "realeza", típico daquelas mulheres que sabem a hora certa de falar a coisa certa sem perder a dignidade ou abandonar os seus princípios. Tinha aprendido na dor a sobreviver num universo dos influenciáveis.

Ele não era velho, embora já tivesse passado da fase do namorinho no portão. Gostava de ir a bares sozinho, gostava mesmo é de não ter concorrência na hora de paquerar a mulherada. Era de uma família tradicional, típico burguês visto por alto, o cara que, por ter tudo na mão, não precisava se esforçar muito pra conquistar algo, e na primeira dificuldade desistia. Mas quem o conhecia bem sabia que nas suas veias corria o sangue daqueles que olham para o próximo com a mesma ternura dos que olham para o próprio umbigo. Era o rei da tecnologia, até grana pra sustentar uma casa ele conseguiu por lá. Gostava de lugares sujos e de futebol. Tinha os cabelos curtos, tatuagem e ouvia Beatles.
Não era bem o que podemos de chamar de "princípe", mas tinha um quê de "realeza", típico daqueles homens que sabem a hora certa de falar a coisa certa sem perder a dignidade ou abandonar os seus princípios. Tinha aprendido na dor a sobreviver num universo dos influenciáveis.


Sem encontraram por acaso, se reconheceram de imediato e contrariando a máxima de que os opostos se atraem, vivem cada vez mais unidos. Dividindo os mesmos amigos, as mesmas lutas, os mesmos planos e a mesma crença num futuro que começou no dia em que ela foi um pouco menos "prepotente" e ele um pouco mais "persistente".
O ano tá acabando e pela primeira vez em muito tempo, sem nenhuma retrospectiva. Literalmente, 2010 é um ano pra ser apagado da minha memória. Que ele vá embora e leve junto toda a dor, cansaço e tristeza que me esteve presente nos meus dias nesses últimos doze meses. Só me resta agradecer o carinho e cuidado de algumas pessoas que me trouxeram um risinho de canto nesse ano de merda.

Aos amigos de longe que se fizeram perto, Paulo, André, Paty, Paula, Geison, Peter.

Aos amigos de perto que se fizeram junto, Rodrigo, Talita, Jacke, Jans, Érika, Ted, Dan, Pri e Pri, Fer.

E ao amigo, que me carregou no colo todo esse tempo, e que por, adorável, coincidência, é também o homem da minha vida. Airtinho do Amor.

Sem vocês, mais uma vez, eu não teria coragem de continuar.

É isso.

Que 2011 venha com muito sol.

domingo, dezembro 12, 2010






Como eu passei quase uma semana sem internet não consegui postar nada de bonitinho pra comemorar o aniversário da Jackeline-Bolinável-Onassis. Uma das pessoas que eu mais gosto e confio hoje. Baladeira, periguete, escalafobética, carnavalesca e boazinha, ou seja, tudo o que eu não busco em uma amiga. Mas enfim, ela veio e ficou e como dizem por aí, só o amor salva, amém.

É preciso sentir muita paixão pra ter que escolher entre passar a noite ouvindo sertanejo universitário ou pagode. Eu descobri que eu sinto.


Fazendo coro com Exalta "Eu me apaixonei pela pessoa errada... lalalala"


Parabéns, bolinávelzinha da tia Fe. Um dia a gente te sequestra e te adota de verdade.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

E tá tudo tão desesperador, tão cansativo, tão melancólico, que só você me faz lembrar que ainda existe muitas alegrias pra me distrair. Você vem e me salva das sacanagens do destino. Sim, você passa a perna no meu destino e me rouba um sorriso que não estava previsto. E isso vem acontecendo todos os dias, desde o bendito dia em que você entrou, sem querer, na minha vida.





(2)

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Depois de tanta coisa, estamos a uma linha de completarmos mais um ano juntos. A sociedade diz que é uma data festiva para os casais, que deve ser comemorada de forma especial, aniversário de namoro é quase um natal exclusivo, meu amor. Eu acho mega engraçado essa imposição do mundo. Talvez porque eu te ame todos os dias com a mesma intensidade. Talvez porque eu ame lembrar de como a sua testa franziu quando os nossos olhos se cruzaram pela primeira vez. Talvez porque eu ame a forma como eu descobri que você realmente estava interessado em mim. Talvez porque eu ame o seu abraço apertado, aquele mesmo que você me deu no nosso segundo encontro. É, pode ser por tudo isso. Pode ser também por eu amar a nossa primeira semana como eu amo a nossa semana passada. Não cabem definições aqui, mas me encanta o fato de lembrar o quanto nos cuidamos todos esses dias, o quanto nos apaixonamos de uma forma nova todos esses dias, o quanto nos orgulhamos por uma atitude de caráter todos esses dias. Um gesto, um pequeno gesto e a gente tem a estranha sensação de que uma vida é pouco pra toda o respeito e amizade que sentimos um pelo outro.
Respeito, amor. Respeito e amizade. Do tipo que não se constrói nem em uma década.

Será que ainda existe alguém que nos conheça e que seja capaz de afirmar que não comemoramos o nosso "estar juntos" todos os segundos do nosso relacionamento?

"Lhe" amo.

domingo, novembro 28, 2010

Carta de despedida do Willian, zagueiro e capitão do Corinthians por três anos, para a fiel torcida.


"Bom dia Fiel torcida!

Hoje é um dia muito especial pra mim. Como a maioria já deve saber decidi encerrar minha carreira de atleta profissional esse ano. Uma decisão já pensada e cogitada desde o fim do ano passado.

Assim, hoje será meu último jogo diante de vocês, fiéis torcedores.

Escrevo essa carta apenas para agradecer a todos o apoio e carinho que me deram. Mesmo as críticas sempre foram por mim analisadas e, com algumas, até concordei com quem as fazia.

Foram 3 anos de muita luta, muita dedicação e muita responsabilidade. Ser jogador do Corinthians é muito difícil. Ser capitão é ainda mais difícil. Principalmente pelo momento em que cheguei ao clube.

Felizmente obtivemos conquistas dentro e fora do campo. O Corinthians hoje é mais forte do que era e será ainda mais forte no futuro pelas mudanças estruturais que a diretoria vem implementando.

Já sinto saudade da energia que vem das arquibancadas do Pacaembu e de ouvir os gritos de incentivo que nos inflama dentro de campo.

Procurei esse ano não pensar muito que seria o último justamente pra não atrapalhar meu desempenho em campo. Confesso que não consegui fazer isso em todos os jogos. Uma ansiedade muitas vezes tomava conta de mim e me atrapalhava bastante. Peço desculpas por isso.

Hoje minha maior vontade é que vençamos e que eu faça uma partida impecável, mas a vitória é mais importante do que qualquer coisa. Mais até do que meu desejo em fazer uma partida perfeita.

Bom, é isso Fiel torcida! Esse é o agradecimento de um homem, que um dia ainda criança, sonhou jogar e encerrar a carreira em uma grande equipe brasileira. Meu sincero agradecimento a todos que de alguma forma colaboraram para que esse sonho se tornasse realidade.

VAI, PARA SEMPRE, CORINTHIANS!"







Valeu, Capita.

domingo, novembro 21, 2010

Hoje é aniversário da rainha do bailinho. E apesar de estarmos um pouco distante nessa fase das nossas vidas, nenhuma outra mulher conseguiu ocupar um lugar de tanto destaque na minha vidinha sacana. Foram muitos segredos, muitas risadas, muitas lágrimas, muitos "paus da goiaba", muitas brigas e muitas reconciliações. Um carinho tão forte e verdadeiro que rumo nenhum muda a chegada, que por sinal, é sempre aquela onde começamos um mundo de fidelidade. "A gente sempre volta pra gente" e tal, sem mudar um vírgula. Sempre, sempre.

Sete vezes parabéns, irmã.









"Se ela dança, eu danço", como da primeira vez.

terça-feira, novembro 16, 2010







Gostaria de agradecer imensamente aos inúmeros títulos que nos foram oferecidos aqui nos comentários do blog. Foram títulos antecipados, títulos comprados, títulos roubados, títulos entregues e, o melhor e mais bambi deles, títulos com asteriscos.

A gente agradece a preferência da freguesia, mas passa a bola.

Em nenhum momento o Corinthians cantou vitória antes da hora ou jogou a toalha um pouco mais cedo. Ainda faltam três rodadas, nove pontos, dois jogos fora e algum tempo até o final do campeonato.

Pedreira atrás de pedreira e grandes adversários na disputa.


A única vantagem que nós temos é a de dependermos apenas de nós mesmos.

Uma vantagem de grande valia nos pontos corridos, é verdade. Em um campeonato cuja fórmula possibilita que títulos sejam vencidos no corpo mole do outro, na falta de objetivo e, dizem os mais dramáticos, na mala preta e entrega de jogo.

Como de costume, ao final do campeonato, temos a fase de chororô e das alegações e insinuações de suborno, compra de juízes, malas coloridas, dossiês, de-ve-des e afins.

Se o Flamengo é campeão, é porque o Corinthians entregou o jogo. Se o São Paulo foi três vezes campeão na sequência, é Madonnão, é porque não tinha adversário, foi na base do chuveirinho. Se o Inter ganhou a Sulamericana há uns anos, grande merda, quem se importava? E se o Palmeiras levar a desse ano??? PFFFFF, palhaçada!! O título de 87 é do Sport ou do Flamengo?? Depende, pra que??? E os mundiais do Santos da idade da pedra, contam ou não contam???


Sabe, é tanta ladainha pra desprezar adversário e diminuir o título do rival que eu me pergunto se esta é a paixão e o prazer que o cidadão tem ao torcer pelo seu “time do coração”!?!

O meu clube, agora, é o “time que compra títulos, campeonatos, juízes, estádios, impedimentos, aberturas da copa, petrodólares e ações na Wall Street”. Ah, e óbvio, alguns preciosos asteriscos!!!!

Só que quando a gente fecha o pedido, pede pro garçom anotar que é sem gelo e com certa dose de emoção. De preferência se puder incluir queda pra segunda divisão, 6534 projetos que enganem a torcida, presidente ditador, protesto de torcida organizada, ida de treinador à seleção, Adilson Batista acompanhado de Thiago Heleno e, de quebra, sete jogos sem ganhar uma partidazinha sequer.

Está tudo na Nota Fiscal.

Na boa mesmo, prefiro vestir a camisa da palhaçada adversária e rir dessa grande piada. Quem acompanha este blog sabe que o chororô aqui não é permitido. Quer chorar de emoção, de tristeza, de amor… que se dane. Agora, vir chorar as pitangas NINGUÉM MERECE.

Convenhamos, choro de perdedor não combina com esporte. Fica feio pro torcedor e, mais grave ainda, se envolve atletas, treinadores e representantes dos clubes. Foi assim com o Internacional em 2005 e no DVD de 2009. Foi assim com o São Paulo nos últimos 4 anos. Foi assim domingo, contra o Cruzeiro.
Esse mico o meu clube não paga. Paga juíz, paga STJD, paga o que vocês quiserem que pague… mas esse mico, aqui, NÃO!


Como sabem, o Coringão foi garfado algumas vezes este campeonato. O exemplo mais citado neste final de semana foi o jogo contra o Guarani, quando o Corinthians teve dois gols anulados por impedimento inexistente de Ronaldo. Veja bem, não foram impedimentos quaisquer que poderiam-quem-sabe-teoricamente-talvez-pode-ser acabar em uma jogada de chance de gol.

Foram dois gols anulados, dois pontos que nos dariam folga na liderança e tal.

Pois bem, peço o favor de reverem esse jogo e apreciarem um singelo exemplo de pós-jogo que não culpa arbitragem, esquemão, e “o céu é azul” pelo resultado.

O comportamento de uma torcida que tem consciência que o futebol tem de ser bom o suficiente pra superar QUALQUER erro de arbitragem, penalti desperdiçado, estádio vazio ou o diabo-a-quatro.

O comportamento de quem quer depender das suas próprias forças pra ser campeão. Algo que eu escrevi aqui o ano todo. Algo que possibilita que a gente dê risada de um “entrega tricolor” ou “entrega verdão”. Algo de quem busca a vitória reivindicando mudanças dentro do próprio clube, e não vivendo em um filme de conspiração a favor do Corinthians.

Sempre vai ter um imbecil na imprensa pra aproveitar um momento desses e aparecer. Mas a imprensa não é marrom, amarela, cor-de-rosa, alvinegra ou Flamenguista. É só uma questão de ética individual de cada um.

Eu não sou árbitro, sei lá eu se daria o penalti. Eu não sou técnico, sei lá eu se iria chorar na imprensa. Eu escrevo um blog de torcedor do Corinthians e, como Corinthiana, deixo bem clara a minha postura de não admitir que meu clube seja resmungão.

E digo mais: muuuuuuuito cruzeirense perdeu tempo comentando sobre o jogo de domingo aqui no Blog e enaltecendo o mico nacional que pagaram no sábado.

Olha, na torcida onde eu fui criada, feliz ou infelizmente, esse mundo de gente não estaria chorando aqui ou ali. Estaria pegando um busão pro CT, pintando uma faixa de “energúmenos, mentecaptos e inerces”. Estaria cobrando postura e raça de quem veste o manto.
Motivo pelo qual, inclusive, o chinelinho do Roger saiu vazado daqui.

Jogador que chora de dor no pezinho, que sai do campo bufando e batendo o pé e treinador que chora na coletiva não faz muito o nosso perfil. Sabe como é, talvez os outros times não entendam muito bem a expressão: AQUI É CORINTHIANS, PORRA!
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Yule Bisetto

segunda-feira, novembro 15, 2010

Eu ja tenho a top list do meu casamento, musicalmente falando, óbvio. Não, eu não estou de casamento marcado, sequer sei se um dia eu vou me casar na igreja, mas caso isso realmente aconteça, terei uma lista a menos pra organizar. Não é isso que chamam de precaução?

Noivo entra na Igreja: Love Conquers All - Purple

Padrinhos entram na Igreja: Portobello belle - Dire Strait

Noiva entra na Igreja: Sou Você - Tony Garrido

Saída dos Noivos e Padrinhos da Igreja: A Paz - Gilberto Gil

Entrada dos Noivos no Salão: I Want To Hold Your Hand - Beatles

Arquivo da Noiva (Telão): Woman - Beatles

Arquivo do Noivo (Telão): Na Barra do Seu Vestido - Zé Geraldo

Arquivo dos Noivos juntos (Telão): Dia Branco - Elba Ramalho.




Não vai ser lindinho? Sim, estão todos convidados. Sim, eu estou aberta a sugestões, mas apenas do futuro marido. E sim, eu escrevi Igreja com letra maiúscula em todas as citações. Talvez um ato falho, provavelmente um sinal.


Eu tenho um namorado gentil, carinhoso, super sociável, inteligente e corintiano. Que me dá chinelinho de dedo porque o meu está muito "gasto". Que me leva pra comer salada de fruta no shopping porque eu estou com preguiça de fazer em casa. Que me posiociona reta na hora de dormir pra eu não acordar com dor no corpo. Que busca o cobertor pra me cobrir quando estou com frio. E que compra uns remédios horríveis pra eu tomar quando estou gripada.

Sorry, "moçoilas casamenteiras"... Mas o melhor namorado do mundo já está comprometido, e eu tenho como provar!

domingo, novembro 14, 2010

Eu me irrito com as pessoas. Enjoô das coisas. Fico puta com algumas situações. Sou intolerante demais pra viver em sociedade, disse o profeta Airton ontem. Penso em montar uma casa da árvore com um colchão e uma geladeira e viver por lá pelos próximos 97 anos.

Sou chata, bem chata, chata pra caralho. Difícil me aturar, fato. E isso me preocupa tanto, ai se vocês soubessem...

quarta-feira, outubro 20, 2010

Reafirmando,

Eu digo que te amo.

Você me pergunta o porquê, deitado em mim, sorrindo aquele sorriso que é só seu e, em meus devaneios egocêntricos, também meu. E são tantos os motivos que eu não sou capaz organizá-los em uma lista, como pede sua apaixonante sensatez. Ainda mais quando sou desafiada por esse tal sorriso que desarma e, na seqüência, arma. Ainda mais quando tenho você em mim, só para mim, mais meu do que jamais alguém foi. Mãos passeando pelo meu corpo e olhos vasculhando minha alma.

Então, para seu entretenimento, e para manter esse sorriso me olhando, vou jogando motivos no universo, sem método ou lógica.

Eu te amo porque você chegou sorrateiro, como quem não quer nada, mas vestido desse sorriso que é capaz de parar indústria e comércio. Porque você me lê, me dá bola, me embala. Porque você sabe meus truques, porque você tem olhos doces, porque você gosta dos meus piores defeitos. Porque você é adoravelmente desligado e porque você ainda franze a testa quando me olha nos olhos.

Te amo porque apesar de você gostar de Pearl Jam, David Bowie e Legião Urbana, você também gosta de Chico, Beatles e Cartola. Porque você acha que meus olhos são os mais bonitos do mundo e porque você entorta a boca de um jeito sapeca quando fala alguma coisa para me provocar. Porque você não precisa de ninguém e, ainda assim, vive rodeado por várias tribos.

Te amo porque você pensa no futuro pra que nossa história possa acontecer, porque você teve sim, medo de me deixar entrar na sua vida, mas agora você já não considera a hipótese de me deixar ir embora. Porque você ouve a música da vida, e é a mesma que eu ouço, e não vê outra forma de passar por aqui que não seja com ritmo. Porque você lê os livros que eu recomendo e acha o máximo que eu os tenha lido.

Te amo porque você beija como ninguém, mexe no meu cabelo e faz amor olhando nos meus olhos. Porque você me coça, me deixa dormir antes só pra me fazer cafuné enquanto eu durmo. Porque você toma banho de manhã e, logo depois, volta para a cama para me beijar mais. Porque você liga várias vezes ao dia para dizer que me ama, para saber se eu estou bem, para me contar sobre sua rotina.

Te amo porque você usa papetes, bermudas, social e calças jeans. E porque você combina com todos esses estilos. Porque você pergunta sobre o meu pai, ri das besteiras que eu falo e gosta de ficar ouvindo as histórias dos meus amigos que você ainda nem conhece. Porque você quer ter uma casa de campo comigo, um lugar onde a gente possa passar a noite olhando o céu e bebendo cerveja, porque você respeita minhas neuroses.

Te amo porque você gosta de alterar quimicamente a realidade das coisas, porque você adora experimentar, porque você não sabe viver sem cães. Porque você gosta de deitar e colocar minha cabeça no seu ombro, porque você acha que assim me protege, porque você sabe que eu preciso de proteção. Porque de manhã você prefere suco, mas me serve café puro. Porque você faz carinho no Huguinho, e é charmosamente desajeitado e volta e meia bate a cabeça em algum objeto inanimado.

Te amo porque você acha que um dia a gente pode, quem sabe, desafiar os traumas do passado e casar na igreja. Porque você acha que a felicidade está nos detalhes, em passar uma noite comendo bobeira, bebendo cerveja, conversando no chão da sala, e ouvindo Beatles. Porque, nessa noite, no chão, ouvindo Beatles e bebendo cerveja, seus olhos brilharam como nunca. E então você parou tudo, colocou a mão no meu rosto, me olhou bem fundo e me beijou do jeito mais carinhoso do mundo. Porque você entendeu que naquele momento nada mais importava. Porque você sabe que nossa história pode ser precocemente interrompida, e que, mesmo assim, ela já terá valido a pena. Porque talvez ela seja, agora e para sempre, a história mais bonita das nossas vidas.

Mas, se eu tivesse que pegar um motivo apenas, eu diria que te amo porque você é o homem com quem eu sempre sonhei, mas nunca achei, de verdade, que pudesse existir pra mim. Só por isso. E também, meu amor, porque você franziu a testa quando nos encaramos pela primeira vez e continua, até hoje, franzindo a testa toda vez que me olha nos olhos.



Pra você, meu bem.



P.S : Tive que pedir licença poética a Milly Lacombe pra reconstruir esse texto com nossos contornos. O nosso ritmo e nossa poesia fica cada dia mais claro visto com a ponta dos dedos.



*


Eu queria escrever de como eu me sinto segura ao teu lado, mesmo cheia de dúvidas sobre nós dois, das vezes em que eu sei que me sentiria protegida, mesmo atravessando um tiroteio se você estivesse segurando a minha mão. E não falo daquela segurança que me impede de sentir ciúmes, que faz com que eu me sinta tranquila em relação a qualquer mulher gostosa e interessante que cruze o teu caminho. É uma segurança de corpo presente, uma segurança de mulher que coloca teus medos, teus caminhos, e se coloca nos braços de um homem. Uma sentimento de estar indefesa por querer, e ainda assim, em nenhum momento sentir-se desprotegida. Uma espécie de fragilidade bem no centro de uma força absurda que eu só encontro no teu abraço. O mesmo abraço que eu duvidei que me faria amolecer as pernas assim que nos conhecemos. Os mesmos braços que me deixaram sem chão dentro do carro no nosso segundo encontro e que, mesmo me causando um medo absurdo, não me fez recuar.
Um não-sei-bem-o-que-é que foi crescendo a cada conversa sintonizada, a cada beijo roubado, a cada intimidade descoberta, a cada passo no escuro e a cada carinho inesperado e desejado. A cada tudo que eu não esperava que fosse e era, ao teu lado sempre era. E, ainda assim, todo o fim de semana eu esperava o momento de te dizer que não dava mais, que não tava legal, que era bobagem, e todas as vezes eu ia embora com mais certeza de que dava, que tava legal, que não era só mais uma bobagem. Eu não queria me render, lutei, lutei pra cacete contra esse sentimento novo. Aquela coisa de bem-me-quer-mal-me-quer e você ali, sempre me bem-querendo enquanto eu tentava te ferir com meus espinhos. E você, com sua paciência que só existe dentro da certeza do que se sente, finalmente me fez querer ser bem-querida.
Faz três meses que eu me pergunto onde eu baixei a guarda. Três meses tentando descobrir o que me prende tanto a você, porque o nosso envolvimento é tão natural, tão simples, tão verdadeiro, que eu sempre me pego pensando o que você tem que ninguém mais tem, que me faz ser tão eu com você sem nenhum furacão separando nossos verbos. Três meses, que seria pouco tempo, não fosse a profundidade que atingimos nesse período.
E eu, que sempre gritei por aí, que só sabia viver bem no meio das tempestades, dos terremotos e do caos, me sinto, pela primeira vez, feliz com o azul de paz que embala nossa relação. E, incrivelmente, a rotina, que sempre foi o meu monstro do armário, passou a ser só mais uma coisa gostosa que eu posso partilhar com alguém que tá me ensinando pra caralho sobre rosas com pétalas grifadas de bem-me-quer-bem-te-quero.







Vai fazer dois anos, amor.
Hoje é dia de relembrar o que já sabemos de cor.
20/10

Hoje é aniversário de um dos dois homens mais importantes da minha vida. De toda a minha inspiração, criatividade, idéia, declaração, quarquel coisa que eu escreva aqui, vai soar como bem menos do que ele merece. (2)

Grande homem. Imenso de coração, valores e coragem.

Não cabe mais nada que eu já não tenha dito, mas ainda vale parafrasear Djavan.

Minha vida por inteiro eu lhe dou...

A nossa preferida, meu amor.


segunda-feira, outubro 18, 2010

O texto da mão com a flor não é do Caio, minha gente. É da Veronica H, acho. A Paty que me disse. Quer dizer, ela disse que eu tinha dado manota colocando o Caio como autor de um trecho da Veronica. Ela não disse qual, mas acho que é esse, porque, sei lá, é claricezinho demais pra ser Caio.

E pra terminar, ela me disse isso faltando 13 minutos para o meu aniversário, logo, deve ser verdade. Nenhuma pessoa é tão cruel a ponto de enganar a outra faltando apenas 13 minutos para o seu aniversário.

Adeus,

quinta-feira, outubro 14, 2010


Ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudor de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, não tem jeito. É tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagall que Van Gogh, mais Jarmusch que Win Wenders... mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.

Caio (2).

Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique.

Caio.
Eu amo desorganizado, desenvergonhado. Tenho um amor que não é fácil de compreender porque é confuso. Não controlo, não planejo, não guardo para o mês seguinte. A confusão é quase uma solidão adicional. Uma solidão emprestada. Sou daqueles que pedirá desculpa por algo que o outro nem chegou a entender, que mandará nova carta para redimir uma mágoa inventada, que estará se cobrando antes de dizer. Basta alguém me odiar que me solidarizo ao ódio. Quisera resistir mais. Mas eu faço comigo a minha pior vingança. Amar demais é o mesmo que não amar. A sobra é o mesmo que a falta. Desejava encontrar no mundo um amor igual ao meu. Se não suporto o meu próprio amor, como exigir isso?

Um dia li uma frase em Hegel: "nada de grande se faz sem paixão". Mas nada de pequeno se faz sem amor.

A paixão testa, o amor prova. A paixão acelera, o amor retarda. A paixão repete o corpo, o amor cria o corpo. A paixão incrimina, o amor perdoa. A paixão convence, o amor dissuade. A paixão é desejo da vaidade, o amor é a vaidade do desejo. A paixão não pensa, o amor pesa. A paixão vasculha o que o amor descobre. A paixão não aceita testemunhas, o amor é testemunha. A paixão facilita o encontro, o amor dificulta. A paixão não se prepara, o amor demora para falar. A paixão começa rápido, o amor não termina.

Não me dou paz sequer um segundo. Medo imenso de perder as amizades, de apertar demais as palavras e estragar o suco, de ser violento com a respiração e virar asma. Até a minha insegurança é amor. O pente nos meus cabelos é faca enquanto é garfo para os demais. Sofro incompetência natural para medir a linguagem das laranjas, acredito desde pequeno que tudo o que cabe na mão me pertence. Minha lareira não dura uma noite, esqueço da reposição das chamas, do envolvimento da lenha no jornal, de assoprar o fundo. Brigo com o bom senso. Ou sinto calor demais ou sinto frio demais. Uma ânsia de ser feliz maior do que a coordenação dos braços. Um arroubo de abraçar e de se repartir, de se fazer conhecer, que assusta. Parece agressivo, mas é exagerado. Conto tragédias de forma engraçada, falo de coisas engraçadas como uma tragédia. Nunca o riso ou o choro acontece quando quero. Cumprimento como se fosse uma despedida. Desço a escada de casa ao trabalho com resignação, mas subo na volta pulando os degraus.

Esse sou eu: que vai pela esperança da volta.




Carpinejar escreveu pensando em mim. Certeza.

quarta-feira, outubro 13, 2010







(Parafraseando Marisa Monte) Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio... laralalalala...

Sim, estou fazendo uma "referência poética" ao meu trabalho. Sendo ainda mais específica, estou falando da Onasis, vulgarmente conhecida como Jackeline com K.

É tão difícil você encontrar compreensão, carinho, respeito e amizade no meio do capitalismo selvagem que impera numa empresa (principalmente quando você é um barril de pólvora), que quando acontece você se sente bem mais disposta pra encarar o fato de você nunca ter acertado na mega-sena depois de 25 anos de vida. Ainda assim, eu continuo afirmando que ou eu sou muito protegida, ou eu tenho muita sorte ou o destino tem medo das minhas grosserias.

E apesar dos seus sapatos de mau gosto e de suas unhas descascadas, hoje em dia você é uma das pessoas que eu mais confio na minha vida, Jackeline Onasis.


P.S: Éééé, eu sou sacana e escrevi esse post só porque você está lendo o meu blog e porque eu sei que você ficou com ciúmes da fotinho da Jans por aqui. :)

domingo, outubro 10, 2010








Me arrependo de muitas brigas que eu tive. Sinto a falta de muitos amigos que eu perdi por ser orgulhosa o suficiente pra dar o braço a torcer. Conheci muita gente bacana. Me apaixonei perdidamente por uma semana milhões de vezes. Poucas dessas paixões se transformaram em amizade verdadeira. Duas, pra ser exato. Mas que valem por um mundo delas. Fiz muitos amigos na internet. Perdi muitos amigos na internet. Conheci o homem da minha vida no meio de uma aposta, lá num boteco sujo do Tatuapé, no meio de um jogo do São Paulo. Aprendi, na base da porrada, que nem sempre emburrar ou passar mal resolve os meus problemas. Às vezes mascara, mas por puquissimo tempo. Resolvi que um dia eu quero ser mãe. E eu, umbigo do universo, descobri que cuidar de alguém que eu amo me faz tão feliz quanto cuidar de mim mesmo. Também tô aprendendo a controlar os impulsos. Mas minha indignação com as imbecilidades do mundo continuam não me deixando ficar calada. Mulher superficial me irrita. Homem fresco me dá asco. Descobri que sou mais forte do que eu imaginava. E continuo não acreditando no mundo espiritual, embora eu tenha cada vez mais certeza que alguma coisa que eu não sei bem o que é, acredita em mim. Reconheço os meus defeitos e as minhas qualidades, aceito-os. A maioria dos erros e acertos levamos conosco. Assim como as conquistas, os fantasmas e os esqueletos no armário. Quando você entende que não há como fugir do passado, o caminho se torna mais leve.

E assim, como eu nunca pensei que um dia fosse acontecer, finalmente me sinto pronta pra começar uma nova vida. Ao lado do homem que me ensinou que confiança, segurança e cumplicidade é a única estrada que nos leva ao amor.

sábado, outubro 09, 2010



Com você longe o meu mundo fica triste, nublado, com garoa fria e trovões medonhos. E eu fico ali parada, amendontrada e tomando chuva o tempo todo. Aí você chega perto, me abraça e é como se o meu guarda-chuva se abrisse. Berrante. Vermelho-cor-da-paixão. E os meus olhos voltam a enxergar a cor do sol.

Meu tom só se revela na sua presença.
Escrevo como vivo, como amo, destruindo-me. Suicido-me nas palavras.

Olhei para o outro lado da rua. Não consegui distinguir rostos.
"Acho que a miopia aumentou", disse, "mas a vantagem é que não sou obrigada a reconhecer as pessoas."
Ele sorriu.
Eu me calei.
Despedimo-nos na esquina.
Ao longe, um monte de lixo e dois cães comendo os restos. Alguns passos adiante, percebi que os dois cães eram duas crianças.
"Deveria ter elogiado seu sorriso", pensei.
Não há miopia que conceda o desconhecimento de quem não se atreve a chegar mais perto.






Descobri esse pequeno texto remexendo no meu baú virtual. É lá onde eu guardo as coisas mais lindas que eu já recebi, já mandei e já li por aí.
Engraçado é que não tinha o autor. Mas, só dessa vez, eu vou assassinar a regra.

sexta-feira, outubro 08, 2010

09/10 - O Geison é um fodido, no melhor uso da expressão. Dono de uma integridade ímpar e uma dose de justiça cavalar. O carinho que eu sinto por ele foi uma das poucas coisas que ficou de uma fase de poucas verdades e muitas ilusões. Apesar do pouco contato que temos hoje, ele ainda está lá, num dos lugares mais bonitos da minha saudade. Orgulho. Me dá um puta orgulho ter alguém como ele na minha história.


Feliz, muito feliz aniversário.



09/10 - A Nadine é a minha Jans. Uma das pessoas mais carinhosas e doces que eu conheço. Sabe aquela pessoa boa, que é boa de verdade? Não nutre maldade, não guarda rancor, não faz fofoca e não faz tipo pra agradar ninguém. É na dela, tão na dela, que tem um mundo a seus pés e nem se dá conta.

Uma princesa. De beleza. De valores. E de alma.

Feliz, muito feliz aniversário.



08/10 - A Érika é uma mulher forte. Com princípios inabaláveis. Doa a quem doer. Amiga daquelas que você pode contar a qualquer hora. Verdadeira. Com quem eu passaria horas conversando sem me cansar. Com um puta gosto musical e um charme irritantemente natural. Se um dia eu me apaixonasse por uma mulher, certamente seria por uma mulher como ela.

Feliz, muito feliz aniversário



quinta-feira, outubro 07, 2010

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Uma nova vida comemorada a cada dia 07.
Como se tivessemos a chance de renascer mil vezes para mil vezes nos descobrirmos mais fortes nesse amor.

Lhe amo,




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domingo, outubro 03, 2010

Eu poderia escrever um post gigante sobre as eleições. Enumerar os mil motivos que me fazem votar nesse partido e não naquele. Escolher esse candidato e não aquele. Abraçar esse projeto e não aquele. Aliás, eu não sei o que veio primeiro: A minha convição corintiana ou a minha convicção política.

Sendo assim, nada escrevo. Até porque, quem não nasceu em berço de ouro e viveu no Brasil nos últimos 8 anos não precisa de maiores explicações.

E pra não dizer que não falei das flores,



sábado, outubro 02, 2010








Um amor que não pode ser considerado eterno porque ele é agora, ele é amor todos os dias. Não é aquele amor perfeito dos comerciais de margarina, é o amor humano, todo cheio de erros, acertos e a bendita compreensão. Um amor sem grandes dramas mexicanos e tão pouco sem enredo de sitcon americano. Um amor sem script. Sem roteiros pré estabelecidos e falas ensaiadas. Aquele amor que se desenrola a cada suspiro. Esse amor de ações e não de juras. Amor de bom dia com a vontade de que o dia seja realmente bom. Amor de saudade do cotidiano. Amor sem urgências e precipitações. Amor calmo, terno, seguro e colorido delicadamente com a maciez de um giz de cera. Amor divertido, recheado de piadas internas e apelidos estratégicos. Amor de bico que se dissolve em risada. Amor de abraço verdadeiro. De mordidas carinhosas. De ofensas cômicas. De confidências trocadas. De apoio mútuo. De estrada construida feita pra caminhar à dois.

Tijolos amarelos? Talvez.
"Não há lugar como nosso lar"

De tão amor, amor possível.


Pra nós,

domingo, setembro 19, 2010

O time dos anarquistas: 100 anos de ódio e resistência



Há exatos 100 anos, um grupo de operários do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, praticou um ato de “desobediência civil”.

À luz de um lampião, na rua, os insurretos decidiram criar um time de futebol do povo e para o povo. Atrevidos, decidiram que a nova agremiação não deveria se contentar com a várzea.

O plano era formar um esquadrão para enfrentar, de igual para igual, os clubes da fechada elite paulistana.
Ousados, já meteram a mão em foices para abrir uma cancha num terreno baldio, pertencente a um lenheiro do bairro. E, no primeiro jogo, contra o União Lapa, saíram em passeata até o palco da contenda.

Mas como passeata? Passeata, sim senhor, porque essa gente era sobretudo anarquista, com a graça do bom Deus.

O primeiro presidente do clube, o ítalo-brasileiro Miguel Battaglia, por exemplo, tivera contanto com o anarcossindicalismo ao prestar serviços para a Light.
É dele a frase cândida, mas também desafiadora, que guia a nação alvinegra até hoje: “Este é o time do povo, e é o povo que vai fazer o time”.

Essa turminha do barulho lia o jornal anarquista de Gigi Damiani, o La Battaglia, que exortava os trabalhadores a fundarem suas próprias escolas e agremiações esportivas.

O time dos anarquistas não tinha bagunça. Cada um sabia das suas atribuições. Cada um assumia uma responsabilidade, conforme o que se aprendera de Bakunin e Malatesta.

E assim se estruturou. Em 1913, os meninos bons de bola conquistam o direito de participar da divisão principal do futebol paulista.

Ao mesmo tempo, o Paulistano e a A. A. das Palmeiras (nada a ver com o atual Palmeiras), enojados do cheiro do povo, se retiraram da liga e resolveram disputar um torneio paralelo.

Começava ali uma história de ódio.

A imprensa questionava a presença de um time de iletrados no mundo do chiquérrimo futebol, um jogo inventando por lordes ingleses.

Quanta petulância!

E para acirrar ainda mais os ânimos, o time dos anarquistas admitia gente de todos os tipos. Logo agregava os negros, os mulatos, os caboclos e outros filhos da terra.
Mais um pouco e atraía também os outros segregados, polacos, libaneses, alemães, sírios, japoneses e gregos, gente que somente se entendia na alegria de torcer pelo Corinthians.

Imaginem o escândalo: um time de anarquistas, pretos, imigrantes e boêmios invadindo as elegantes festas do Velódromo.

Se o Corinthians ainda existe é por conta da brava resistência ao preconceito.

Tudo lhe foi sempre negado ou dificultado.

A mídia paulistana, sutilmente, construiu um estereótipo desabonador do corinthiano: é o ladrão, favelado, sem modos, sujo e vagabundo.

E mesmo criminalizado o Corinthians sobreviveu, e se fortaleceu.

E fortaleceu-se por qual motivo? Justamente porque sempre se cria um espírito de resistência solidária entre os oprimidos, ofendidos e injustiçados.

Passaram-se 100 anos, e nada mudou.

O Corinthians continua sendo alvo preferencial da mídia monopolista.

Se o grande São Paulo Futebol Clube recebe um financiamento do BNDES não há nada de errado. É a ordem natural das coisas.

Ora, mas se o banco vai financiar a “pretalhada”, os “gambás”, aí é uma vergonha.

Se a ordem é investir dinheiro público no rico bairro do Morumbi, a imprensa sorri de orelha a orelha. Mas se a grana toma o rumo de Itaquera, na esfolada Zona Leste, já vira um caso de polícia. Estadão, Folha, Abril, Globo, ESPN, entre outras organizações midiáticas aproveitaram para criminalizar mais uma vez a paixão de Lula pelo time do povo. Está aí um prato cheio para colunistas políticos travestidos de colunistas esportivos: juntou o time dos anarquistas, do populacho, com o operário nordestino que se meteu a ser presidente… Ai, não dá, né? Ainda mais quando ambos, o time e o presidente apresentam atributos que encantam o povo e, logicamente, o eleitorado.

Aqui, no Brás, os fogos espoucaram durante toda a madrugada. Subiam dos quintais de cortiços, das janelas de apartamentos minúsculos, de ruelas esquecidas e escuras, dos lugares onde o povo do Brasil ainda resiste, invisivelmente.

Ahhh… Quanto ódio por você, meu Corinthians, mas quão grande é sua amorosa resistência! Parabéns pra você!


(Mauro Carrara)















Leiam.

sábado, setembro 18, 2010

Faz tempo, né?



Só pra lembrar do ontem, do hoje e do amanhã,


















Agora encaixou, já era. Agora não tem mais essa de "ele é meio estranho, ela é mega esquisita".
Agora não tem mais jeito. Agora quero ver alguém chegar e dizer que não pode, que não dá certo. Daqui pra frente, querido, é café com pão e banho quente.

"Tem uma toalha?"

Tem, meu amor, tem até uma toalha.


D'Umbra

segunda-feira, setembro 13, 2010

O mau humor é o melhor antídoto que existe. Nada como tomar o café da manhã com uma mulher irritada, ser passageiro de um motorista que vive reclamando do trânsito, conversar com um carrancudo que destila ódio para a classe política. São companhias estimulantes, afrodisíacas. Além de tudo, bem informadas. O pessimista é uma enciclopédia vendida de porta em porta. O otimista é que não lê jornal.

O otimista é frouxo, repete as mesmas frases evasivas e genéricas como “precisa acreditar” ou “tenha esperança”. O pessimista é pessoal, persuasivo, abrirá seus segredos com desembaraço. O otimista rende somente auto-ajuda. O pessimista proporciona alta literatura.

Guardo deslumbramento auditivo diante das pessoas que não respondem tudo bem no cumprimento. Enchem as vogais para declarar “tudo péssimo”. Puxo a cadeira mais próxima e me sento com reverência porque percebo que descobri um corajoso no mundo, que vai se confessar com absoluta sinceridade, que tem vida própria e casa alugada.

O azedume é a inteligência em estado bruto. Aplaudo a loquacidade da tristeza. Desespero quando não fala é fatal. Desespero que esperneia é manso. Nunca fui de brigar, por exemplo, mas de espernear. Queria ser segurado pelos colegas antes de apanhar. Minha honra fez teatro na escola.

O mau humor do outro me deixa eufórico. Recebo uma sensação de paz que encontrei uma vez, ao soltar folhas de livro inédito no Rio Sena, apesar de não ter estado em Paris.

Do veneno alheio, surgirá sabedoria, ensinamento, conselhos. Quase uma aula de ecologia sentimental.

Orgulho-me desse humor muito brasileiro, incomparável. Daquele cara que deu tudo errado e ainda está achando graça. Sofreu enchente, deslizamento, seca, foi corneado e não se entrega. Não fechará o negócio, a cara, a amizade. É o que não tem motivos para rir e está rindo. Seu riso é perigoso. Seu riso é ofensivo. Seu riso é o caráter do pulmão.

Não confio em sujeito com felicidade de sobra. Será avarento e indiferente. Quem tem esconde. Unicamente peço dinheiro emprestado ao amigo que já faliu. É um pré-requisito que não costuma falhar.

Eu me interesso pela falta de explicação da alegria. Viva o humor do fodido. É o único que sobrevive às tragédias. Não ficará traumatizado, arrumará uma piada no acidente. Não ficará encastelado no quarto, pagará uma rodada ao pessoal do balcão.

A desgraça o torna generoso. Repentinamente natalino.

Meus grandes amigos estão cansados de recados, cada dia é um ultimato. Odeiam quando a atendente pergunta de onde são. Têm rancor por essa mania de rodoviária que atinge a maior parte das secretárias.

Meus grandes amigos são mórbidos. Compraram o jazigo na juventude. Os que pensam na morte cedo demoram a morrer. Preparam-se com tanta antecedência que perdem a hora.

Posso garantir, todo santo estava acabado aos 40 anos.



Carpinejar.


Cada vez mais sou convencida pelos meus amigos que o meu mau humor e pessimismo é cômico.

Mega apropriado.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Tive vontade de sentar na calçada da Rua Augusta e chorar, mas preferi entrar numa livraria, comprar um caderno lindo e anotar sonhos...


Por aí.
Oi,

Só pra dizer que esse blog anda mudo por que eu ando sem voz. Sem tempo de ter voz, sem pique de ter voz, sem vontade de ter voz. Tô cansada pra caralho. Cansada emocionalmente, cansada fisicamente, cansada espiritualmente. Usando o meu rarissimo tempo de pausa pra descansar, no sentido literal da palavra. Sem tempo pros amigos, pros passeios, pras diversões, pra mim. Aquela coisa de ficar enjoada por excesso de coisas a fazer e de encostar a cabeça por 10 segundos num lugar tranquilo e acabar pegando no sono. Esse ano tá uma verdadeira merda e eu tô aprendendo, na marra, a me virar sozinha. O bom é saber que ainda tenho boas almas que me entendem. O melhor é saber que eu tenho alguém pra abraçar quando as pernas não aguentam mais o peso da situação.

Volto quando der.

domingo, agosto 08, 2010

Ontem comemoramos mais um mês juntos. Um mês daqueles que mais parecem anos, como todos que passamos até hoje, desde o primeiro beijo. A intimidade, a cumplicidade, o encanto, a amizade, tudo-tudo como se já nos conhecessemos desde sempre. E nesse ano tão difícil pra mim, é o apoio dele que tem me mantido firme. Sabe quando tudo parece uma grande merda e o que você mais quer é sumir da face da terra, aí vem alguém e segura a sua mão pra você seguir em frente? É bem isso que eu sinto. A certeza de que ele nunca vai abrir mão de me ver bem ao lado dele. Aconteça o que acontecer, estaremos segurando a mesma barra.

Eu sempre escrevi pra ele guiada pela paixão. Hoje eu escrevo pela razão de quem se sabe cuidada, protegida e segura. E mesmo com todo o desgaste desse ano sem fim, amada.

Parafraseando Tati Bernardi: "Nessa época em que todo mundo acaba indo embora da nossa vida, quem tem que ficar, fica."

sábado, agosto 07, 2010

Ela me disse, casualmente, que havia notado a mancha de sangue na minha camisa.
Disse a ela: "Não se preocupe, não é nada." Ela respondeu: "Eu não tô preocupada."
Resmunguei: "É melhor assim."

Achei que podia me divertir um pouco assistindo uma luta de boxe na tv. Tirei a camisa manchada de sangue e joguei no tanque. Ela vestiu uma micro-saia e saiu pra rua. Abri uma cerveja e resolvi esperar.

Os ponteiros do relógio eram guilhotinas no meu pescoço. Quando ela voltou, não falei nada. Fiquei no escuro vendo ela se mexer, deixando cair sua saia. No caminho pro banheiro deixou a luz acesa e ouvi o barulho, não vou usar de eufemismos nesse momento pra dizer o que ela estava fazendo. Somos um casal com tempo de serviço, nossa indiferença mútua provava isso, meu enorme peso no sofá atestava isso.

Ela acendeu um cigarro no escuro da sala e a chama do isqueiro fez com que ela me notasse. "É mais difícil do que você imagina", ela disse. E o seu desprezo me acertou como um blefe de pôquer.

Ainda ficou um tempo olhando pra mim antes de vencer o orgulho e perguntar:
"O que era a mancha na sua camisa?"
"Já disse. Não é nada. Não precisa se preocupar"

Ela soltou um foda-se e foi pro quarto, deitou e ficou fumando olhando o teto. Levantei e fui até o banheiro. Cambaleei e tive que me apoiar na porta. Abri o armário e peguei o mercúrio cromo.

Ou você não sabia que a maioria das histórias de amor terminam com alguém limpando as feridas?


É um poema, mas acho mais verdadeiro assim, sem muitas pausas. Bortolotto que declamou pra mim.
Eram 21h quando o fiscal da CET me parou. Aplicou-me uma multa dessas de R$500,00 e avisou que dá próxima vez que me pegasse pensando em você no trânsito, não teria acordo, levaria o carro. Desci, entreguei-lhe as chaves e avisei que o câmbio não estava nada bom, mas que o IPVA estava em dia. Segui o meu caminho pela Consolação a pé pelo canteiro central e ainda tive tempo de ver o guarda passar por mim, dentro do meu carro, ouvindo aquela música do Morphine.
Acho que até ele naquela hora estava pensando em você
.

Dumbra.

quinta-feira, agosto 05, 2010









Teríamos um apartamento com varanda, quem sabe uma casa com jardim e um bolinha de pelo. Tomaríamos café preto e suco de caixinha todos os dias de manhã. Você reclamaria o fato de eu comer miojo toda noite. Eu, por você passar horas jogando no computador. Eu não admitiria o quanto você fica bonito quando bravo e você não diria que lembra da roupa que eu usei no nosso primeiro encontro. Discordaríamos quanto ao uso de tapete na sala. Não arrumaríamos a cama diariamente, beberíamos juntos em algum bar no final de semana. A geladeira seria repleta de congelados e cervejas, o armário, de igredientes para o nosso sagrado lanchinho de sanduicheira. Eu dormiria cedo, você, sempre após o almoço. Sonharíamos os mesmos sonhos. Você me ensinaria alguma coisa sobre tecnologia, e eu te convenceria a ler os blogs dos meus escritores favoritos. Sentaríamos na sala de pijama e pantufas, você iria direto para o caderno de esportes no jornal e eu comentaria alguma notícia sobre política. Você saberia o nome do meu perfume, eu saberia a sua marca de sapatos favorita. Você faria macarrão pro almoço, eu faria mousse de maracujá pra sobremesa. Conversaríamos sobre religião. Nos beijaríamos no meio de alguma discussão. Você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia. Saberíamos.

Poderíamos casar.


Com as devidas licenças poéticas a idéia original do texto.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Para os grandes, eu penso. E viro a cabeça pra pensar em outra coisa. É mais feliz gostar, amar é pra quem pode. Mas você ou a vida ou sei lá, insiste. E então chega enorme. E só me resta rir que nem quando vejo um bebê muito pequeno e lindo. Você ri. Vai fazer o quê? É o milagre maravilhoso da vida e eu ficando brega e cheia de medo e cheia de vontade de te contar tantas coisas e nem sei se você gosta de ouvir meus atropelos. Muito amor.
E então fico querendo não trair a beleza. Com você sinto a fidelidade de ser tranquila. Um pacto de paz com o mundo. Pra não me afastar de você quando estou longe. E é impossível então que os martelos do apartamento de cima sejam realmente martelos. E é impossível que as chatices do dia sejam realmente sem solução. E os outros caras, aviso, olha, é amor. É amor. Ainda que eu quisesse, não consigo mais nem um centímetro pros outros. Desculpa. O amor é terrivelmente fiel. Porque ele ocupa coisas nossas que nem existem nos sentidos conhecidos. É como tomar água morna depois de ter engolido um filtro inteiro de água geladinha. Ninguém nem pensa nisso. Muito amor.
De um jeito que era mesmo o que eu achava que existia. E é orgânico dentro da gente ainda que vendo de fora não pareça caber. O corpo dá um jeito. Minha casca reclama mas incha. Tudo faz drama dentro de mim, ainda que nada seja realmente de surpresa. Sentir isso era o casaco de frio que sempre carreguei no carro. Cansado, abandonado, amassado, sujo, velho. Mas, de repente, tudo isso desistente tem serventia e a vida te abraça. O guarda-chuva do porta-malas. A bolsa falsa do assalto que minha mãe mandava eu ter embaixo do banco do passageiro. Sentir isso é o troco que você guarda pra emergência. Amar grande é gastar reservas e ainda assim ter coragem pra dar o que não se tem. Amar grande é ter vertigem no chão mas sentir um chamado pra voar. Amar grande é essa fome enjoada ou esse enjôo faminto. É o soco do bem na barriga. É mostrar os dentes pra se defender mas acabar em sorriso. É o sal que carrego no fundo falso da bolsa pra quando eu sentir vontade de desmaiar. É o açúcar que carrego junto pra deixar as situações mais doces. É tudo que pode sair do controle. É o desespero aconchegante. É o meu corpo caindo sobre as almofadas de todas as cores dizendo que pode dar certo.



Achei num blog aí por acaso. Não tinha o nome do autor, mas acho que é da Tati Bernardi. Tem a cara da Tati Bernardi. E agora tem a minha dedicatória.

Pra você, meu maior bem.

terça-feira, agosto 03, 2010










Sabe de uma coisa? Eu desisto das pessoas.

(Cainho do Amor)

segunda-feira, agosto 02, 2010

Eu não tenho tempo pra cagar, meu povo!

É vulgar, é forte, é nojento, mas é bem por aí mesmo. Eu acordo no meio da madrugada para ir ao banheiro. Só assim, juro. Quer dizer, às vezes eu sou surpreendida com uma baita dor de barriga no meio do dia, mas isso é culpa dos miojos que eu ando comendo por pura falta de tempo pra fazer uma comida de gente. Eu tenho tempo pro trabalho, pras contas, pras roupas sujas, pras louças em cima da pia, pro ferro de passar, mas não tenho tempo pra mim e pras pessoas que eu amo. Vida estranha, não? Bem vindo.

Fora isso, ainda tenho que escutar o "mimimi" de pessoas que não aceitam que a minha vida mudou, que eu mudei, e que o meu tempo mudou. É uma pena.

Só o meu namorado sabe que as 22:00 de um sábado a coisa mais difícil do mundo é não me encontrar dormindo no sofá da sala. As pessoas confundem falta de amor com excesso de cansaço. E, infelizmente, eu não tenho mais ânimo pra explicar a diferença. É uma pena (2).
Barrichello esperou quase uma década pra ultrapassar Schumacher pela primeira vez. Shumacher tentou evitar esse feito jogando Barrichello contra o muro. O muro acabou na hora certa. Barrichello venceu a parada e conquistou ... Um ponto. Um mísero pontinho compatível a um mediano nono lugar. Se a disputa fosse pelo penúltimo lugar, a história seria a mesma. Mas o que estava em jogo não era a posição, era uma espécie de redenção, minha gente.

Quase uma década de sapos engolidos que foram vomitados em uma única curva. Pagou pra ver e assumiu os riscos de uma batida a 300 km por hora. Foi a maior vitória da carreira do Barrichelo.



Isso tudo só pra lembrá-los que a vida sempre nos dá a chance de colocar pra fora os nossos "esqueletos" ou morrermos com eles no armário. É questão de escolha. E coragem.

terça-feira, julho 27, 2010

A vida não me reservou nada de esplêndido, mas eu fui lá e arranquei dela.

Esse é um mundo frio onde "raramente acontece um olhar com carinho", mas em alguns textos, as histórias insistem em arder de um jeito quase inexplicável, então é possível acreditar que um sujeito que estava disposto a atirar na cabeça do outro, minutos depois vá até o quarto buscar um cobertor para que o seu desafeto não passe frio deitado no sofá.

Há muito já entendo, generosamente, que não há como passar por cima de nossos sentimentos mais verdadeiros.

E isso faz toda a diferença.


Bortolotto, o Gênio.

sábado, julho 24, 2010

As coisas andam estranhas. Do tipo "incontroláveis". Controle? Que controle? Descontroladas, talvez. Não a vida que eu levo, mas o que eu sinto e penso em relação a vida que me leva. Andei pensando nisso por uns dias de melancolia que passaram pelo meu quarto. Uma mistura de nostalgia, desesperança, e a certeza de que a qualquer hora as coisas podem dar errado em definitivo e bau bau mundinho sacana. Eu sinto um desconforto imenso quando me deparo com fins. E in ou felizmente, acredito que mais cedo ou mais tarde, eles sempre chegam. Fim de tudo. Inclusive da nossa própria existência.

E por mais estranho que possa parecer, isso tudo me remete ao dia em que o vi pela primeira vez. Numa mesa de bar, discutindo com uma louca, como todos sabem, numa cidade que não era nem a minha nem a dele, vendo um jogo de futebol de um timeque não era do meu nem do dele. Penso em como ele me salvou de uma vida sem cor, sem planos, sem projetos, sem futuro. E penso em como ele me salva todos os dias em que a tristeza invade os meus poros. Penso na vontade de ter uma vida ao lado de alguém, independente do tempo que levará pra chegar ao fim. E penso, principalmente, nas muitas vidas que já aconteceram desde aquele primeiro beijo.

Qualquer coisa do tipo que me conforta do meu medo de fins.

sexta-feira, julho 16, 2010

Acordar 5 horas da madrugada de uma sexta feira pra entrar no trabalho as 7:00 e ficar até as 21:00 da noite. Não, não é pelo bem da empresa. Muito menos pra ganhar dinheiro a mais. Faço por extrema necessidade da garota que,normalmente, divide o horário comigo. Eu tenho poucos amigos, mas costumo me doar por inteiro pra eles. Faria e faço quantas vezes ela precisar. Sem pensar (pasmem!) no meu próprio umbigo cansado e estressado.

Esse é o meu jeito de encarar o dia-a-dia. E o seu?

segunda-feira, julho 12, 2010

Eu já disse que me acho bacana pra caralho por não gastar mais da metade do meu salário com uma bota, não tentar alcançar status frequentando as baladas mais caras da cidade e não me privar de beber, comer e fumar pra ser a pessoa mais saudável e gostosa do planeta?

Não, não sou um exemplo pra ninguém, mas porra, como é gostoso não me noiar em ser gorda, usar havaianas e passar um fim de semana em casa lendo Caio Fernando, escutando Belchior, e "tarando" mentalmente o Bortolotto.
Só pra dizer que hoje foi dia de pingos nos is, alma lavada e verdades escancaradas. E que por mais que todo mundo queira contar uma versão baseada em "achismos", e que 90% desse todo mundo queira acreditar, os fatos sempre esclarecerão os fins. Bem vindo de volta ao mundo da consciência tranquila com justiça feita. E não, eu não sou tão santinha assim. O meu olhar prepotente de quem sempre soube que estava certa durará infinitas horas até a próxima encrenca.

E por não ter tentado esclarecer porra nenhuma e ser altamente cética, mantenho a posição de não acreditar que o meu santo seja forte. Embora haja controvérsias.

terça-feira, julho 06, 2010

Oi amor,

Mais um mês e tal, e não há nada pra escrever que seja tão forte quanto tudo o que vivemos nesse tempo.

Aí, rebobinando a fita da minha vida, lembrei de quando me afoguei, do dia em que eu abri a minha cabeça embaixo do caminhão, das semanas em coma, da infecção generalizada e de todas as tantas vezes em que ouvi dos outros que eu era "protegida", "especial", "espiritualmente forte" e todas as outras expressões que usavam pra explicar o fato de eu ainda estar viva. Lembrei do quanto eu nunca consegui acreditar nisso. Esses dias mesmo, conversávamos sobre ter fé. Depois de tudo o que eu passei, não acreditar no mundo espiritual é a melhor explicação pra aquela velha máxima "fé não é questão de opção, é questão de sentir". E eu nunca consegui sentir verdade em qualquer coisa que eu fugisse da lógica. Sempre preferi acreditar em coincidências, sorte, talento, luta, coragem e essas coisas que transformam a vida das pessoas.
Engraçado, mas antes de começar esse texto, eu nunca tinha parado pra pensar no que significa você na minha vida. Não acho que seja coisa dos anjos, de vidas passadas, do espirito santo, de protetores espirituais ou de qualquer outra coisa que te passe alguma credibilidade. Mas eu tenho fé na gente. Tenho fé no nosso relacionamento e em cada coisinha simples que sentimos um pelo outro. Quando os seus olhos espiritualmente convictos cruzam com meus olhos irredutívelmente ateus, eu consigo enxergar um deus. Um deus que não é aquele ser criador de tudo, como diz as crenças, muito menos o ser superior que pregam as religiões, eu consigo enxergar um deus que me deixa mais forte, mais serena, mais feliz, mais doce, mais afim. Um deus que saí dos seus olhos e refletem nos meus. Um deus que pode muito bem atender pelo nome de amor e que eu passei a vida inteira negando.

Eu acredito cegamente na gente, e se isso for ter fé, a minha não nasceu pela dor.

"Lhe" amo, amor meu.

domingo, junho 27, 2010

Meu filho vai nascer bem branquelinho, gordinho, de bochecha vermelha e cabelos levemente claros, talvez fios ruivos. Possivelmente vai entrar pro ramo da publicidade, muito embora, há quem diga que ser goleiro (mesmo que em pelada de esquina) esteja no sangue da família. Vai ser cavalheiro. Talvez um pouco teimoso, cabeça dura, e agressivo. Dramático será seu apelido. Teatral seu sobrenome. Não será gay, mas terá um lado forte de sensibilidade com a escrita. Vai ser de esquerda e corintiano roxo. Saberá tudo sobre Beatles, Elvis e algumas coisas meio grunge dos anos 90. Conhecerá a lenda do cara que comia pombas e morcegos em seus shows. Terá padrinhos espalhados pelo país inteiro. Duas tias Patys e um primo lindo de olhos verdes que será o "bambambam" das gatinhas. Terá opinião forte e boa articulação. Será viciado nas novas tecnologias e nos velhos livros. Uma voz de cantor de banda de rock com charme debochado de integrante do CQC. Talvez aos 21 anos saia de casa e vá morar em cuiabá para apoiar alguma ONG que lute pelos direitos índigenas, não duvido, juro.

Será um cara íntegro, de personalidade forte e de bom coração.


Isso tudo, contando com a certeza de que eu já encontrei o futuro pai dele.


P.S: Se for menina será a princesa do bailinho.
E ele sempre vai embora me deixando com a sensação de que o tempo passa devagar demais quando o plano já deixou de ser sonho e se tornou projeto de uma vida inteira.

segunda-feira, junho 07, 2010







Mais um mês, meu amor.

O calendário nem mostra tantos anos assim desde o dia em que nos conhecemos. Mas ninguém seria capaz de dizer que já não temos uma vida juntos. O tempo saiu derrotado na batalha contra a nossa cumplicidade. As datas mentem o que não se pode de explicar. E se há uma coisa que temos de incomparável nessa relação é o nosso tempo particular, que não é contado por dia, por mês ou por ano, é marcado pelas vezes em que você franze a testa quando olha pra mim ou pelos momentos em que eu finjo passar mal só pra você me mimar. Nossos "aniversários" são baseados no afeto silencioso que sentimos quando estamos juntos.

Há quanto tempo estamos juntos? O tempo suficiente para sabermos que uma vida inteira assim ainda é pouco, talvez.

Quem é capaz de definir quantos meses valem cada suspiro apaixonado?

quinta-feira, junho 03, 2010

Eu encontrei quando não quis mais procurar o meu amor. E quanto levou foi pr'eu merecer. Antes um mês e eu já não sei...

Amarante já me cantava antes mesmo do meu primeiro suspiro apaixonado.


E desde então, o mundo ganhou um tom mais aconchegante. As músicas ganharam uma sonoridade mais ritimada. Os contos ganharam histórias mais compreendidas. Os papos ganharam assuntos mais profundos. E eu ganhei mais motivos pra vida, a minha quarta ou quinta, talvez.

Tudo o que vivemos nesses quase dois anos, foi tudo o que muita gente leva mais de meio século pra viver. Dos sabores aos dissabores. Dos sonhos aos pesadelos. Das lágrimas aos sorrisos. Tudo. Acho lindo as pessoas falarem de mim pensando em você e vice-versa. Acho incrível que, em tão pouco tempo, a gente tenha criado um laço tão nitído e honesto, que todos a nossa volta consigam enxergar sem o menor esforço. Construímos uma história baseada em fatos reais, com todos os clichês permitidos e originalidades proibidas. As nossas coisas. Pequenas e grandes coisas. Nossa. Tão nossa que confunde até o som do violão. Nossas piadas, nossos apelidinhos carinhosos, nossas bobeirinhas, nossos gostos, nossas músicas, nossos filmes, nossos vícios, nossos planos, nossos amigos, nossas birras, tudo-tudo. Nada mais é meu, nem seu. E sabemos disso com a mesma convicção que sabemos que o "tudo nosso" inclui também as nossas particularidades. Esqueletos no armário que nos tornam ainda mais próximos. Uma nova vida, tão recente, mas que já começa a dar os primeiros passos com uma desenvoltura de dar a inveja a muitas bodas de ouro por aí.

Parágrafos tão desconexos só pra mostrar que é bem assim que tem sido nossos dias.
Lindos e desconexos. Sem regras. Honestos com os erros e acertos. Sem procedimentos pré-estipulados. Como toda bom final feliz deve ser no começo.

E pra não completar o sentido do sentido,

E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei...
"Paradoxo do Nosso Tempo"

Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.


(George Carlin)


Achei super conveniente e tal.

domingo, maio 30, 2010

Eu sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade.
Pinto a realidade com alguns sonhos, e transformo alguns sonhos em cenas reais.
Choro lágrimas de rir e quando choro pra valer não derramo uma lágrima.
Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz. Busco pelo prazer da paisagem e raramente pela alegre frustração da chegada. Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais. Mas não me leve a sério, sei que nada é definitivo. Nem eu sou o que penso que eu sou. Nem nós o que a gente pensa que tem.
Prefiro as noites porque me nutrem na insônia, embora os dias me iluminem quando nasce o sol. Trabalho quase sem salário e não entendo muito de economizar. Nem de energia. Esbanjo-me até quando não devo e, vezes sem conta, devo mais do que ganho. Não acredito em duendes, bruxas, fadas ou feitiços. Não vou à missa. Nem faço simpatias. Mas mascaro minha fé no deus do otimismo. Quando é impossível, debocho. Quando é permitido, duvido.
Bebo pouco porque só me aceito sóbria, fumo pra enganar a ansiedade e não aposto em jogo de cartas marcadas. Penso mais do que falo. E falo muito, nem sempre o que você quer saber. Eu sei. Gosto de cara lavada — exceto por um traço preto no olhar — pés descalços, nutro uma estranha paixão por camisetas velhas e sinto falta de uma tatuagem fechando todo o braço direito.
Mas há uma mulher em algum lugar em mim que usa perfumes doces, cremes importados e tem um brilho no olhar, quando se traveste em sedução.
Se você perceber qualquer tipo de constrangimento, não repare, eu não tenho pudores mas, não raro, sofro de timidez. E note bem: não sou agressiva, mas defensiva. Impaciente onde você vê ousadia. Falta de coragem onde você pensa que é sensatez.
Mas mesmo assim, sempre pinta um momento qualquer em que eu esqueço todos os conselhos e sigo por caminhos escuros. Estranhos desertos. E, ignorando todas as regras, todas as armadilhas dessa vida urbana, dessa violência cotidiana, se você me assalta, eu não reajo.



Juro que não sei o autor, mas quero que seja meu pra dar de presente pro cara que tem me feito mais mulher todos os dias.
Oi,


Eu resolvi (parcialmente)o meu problema de saúde. Correu tudo bem na círurgia do meu pai. Estou conseguindo conseguindo controlar as minhas dívidas. Tô aprendendo a me virar sozinha com as tarefas domésticas. E estou cada vez mais amorzinho com meu gato. Parece que o mundo resolveu me dar uma trégua. Só a saudade e os momentos de tristeza que não cedem, mas não adianta mais reclamar, já entendi que nem que o mundo acabasse em fogo, daria jeito nesse espaço vazio que ficou na minha alma. É preciso reaprender a viver sem um pedaço. Não há outra saída. Infelizmente.

domingo, maio 09, 2010

Meu namorado passou numa prova lá, super difícil, que o torna especialista em um outro troço lá que eu não entendo bem. Alguma coisa relacionada com tecnologia e tal. O que eu sei mesmo é que ele estudou pra caralho e que eu tô super orgulhosa dele. Na real, eu sempre tenho muito orgulho dele, principalmente quando ele fica puto com as minhas manias ou discorda das minhas opiniões. Pois é, eu sempre odiei homem que diz "amém" pra mim, e ele é a medida certa de me paparicar e ser firme com os meus defeitos. Eu nunca disse isso pra ele, mas é um puta conforto saber que tenho alguém ao meu lado que me ama, mas acima de tudo, tem as suas opiniões próprias sobre o sentido desse amor.

domingo, abril 25, 2010

É o seguinte, caro-amigos-leitores

Um cara teve a sua filha morta por um assassino. Dois inevstigadores da polícia criminal entram no caso. Um deles, mais impulsivo e passional, acredita piamente que o assassino foi um ladrão lá do bairro dele. O outro, mais racional e contido, pede que ele vá com calma e trabalhe mais as evidências do caso. O cara passional, sem provas concretas e num ato irresponsável, conta ao pai da menina morta que o assassino foi o tal ladrão do bairro. O pai da menina morta resolve fazer justiça com as próprias mãos, vai lá e mata na porrada o suposto assassino. A polícia descobre e prende o pai da menina, ele é julgado e pega "mor" tempo na prisão. Um dia depois eles descobrem que o assassino da menina foi outro cara, que confessa o crime e o motivo.

O investigador passional fica mal pra caralho por ter se precipitado e trava um duelo com seu parceiro:

- Cara, eu queria te pedir desculpas pelo que eu fiz. Eu errei ao contar pro pai da menina o nome de um cara que eu "achava" que fosse o assassino. E mesmo que fosse ele, eu nunca deveria ter feito isso. Eu errei feio.

- Você errou feio mesmo, só que desculpas não adiantam agora. Quem está pagando pelo erro não é você, é o cara que teve a filha assassinada semana passada.






CSI, meus caros. É ficção, eu sei, mas não fica devendo nada pra realidade que muitos preferem fingir que não veem.

sábado, abril 24, 2010

O que o corintiano gozador mais quer é perder a final da Libertadores para um time mexicano.

Assim, iria do mesmo modo ao Mundial e, ao vencê-lo (sim, o corintiano gozador quer ser bicampeão mundial), provaria, pela segunda vez, que é possível ganhar o título da Fifa sem ter vencido a Libertadores…


(Juca Kfouri)



Sem mais,

quinta-feira, abril 22, 2010






Li boa parte de seu discurso, senhor José Serra. Talvez eu seja hoje o que o senhor foi, na minha idade, quando era um jovem, que presidia a União Nacional dos Estudantes e apoiava o Governo João Goulart no Comício da Central. Quando o senhor defendia o socialismo que hoje condena, o patriotismo que hoje trai, o desenvolvimento autônomo do Brasil do qual hoje o senhor debocha.

O senhor, como Fernando Henrique, é útil aos donos do Brasil – sim, Serra, o Brasil tem donos, poque 1% dos brasileiros mais ricos tem o mesmo que todos os 50% mais pobres – porque foi diferente no passado e, hoje, cobre-se do que foi para que não lhe vejam o que é.

O símbolo do Brasil que não pode mais, que não pode ser mais como o fizeram.

Não pode mais o Brasil ser das elites, porque nossas elites, salvo exceções, desprezam nosso povo, acham-no chinfrim, malandro, preguiçoso, sujo, desonesto, marginal. Têm nojo dele, fecha-lhe os vidros com película para nem serem vistos.

Não pode mais ser o país das elites, porque nossas elites, em geral, não hesitam em vender tudo o que este país possui – como o senhor, aliás, incentivou fazer – para que a “raça superior” venha aqui e explore nossas riquezas de maneira “eficiente” e “lucrativa”. Para eles, é claro, e para os que vivem de suas migalhas.

Não pode mais ser o Brasil dos governantes arrogantes, como o senhor, que falam de cima – quando falam – que empolam o discurso para que, numa língua sofisticada, que o povo não entende, negociem o que pertence a todos em benefício de alguns.

Não pode mais ser o país dos sábios que, de tão sabidos, fizeram ajoelhar este gigante perante o mundo e nos tornaram servos de uma ordem econômica e política injustas. O país dos governantes “cultos”, que sabem miar em francês e dizer “sim, senhor” em inglês.

Não pode mais ser o país do desenvolvimento a conta-gotas, do superávit acima de tudo, dos juros mais acima de tudo ainda, dos lucros acima do povo, do mercado acima da felicidade, do dinheiro acima do ser humano.

O Brasil pode hoje mais do que pôde no governo do que o senhor fez parte.

Pôde enfrentar a mais devastadora crise econômica mundial aumentando salário, renda, consumo, produção, emprego quando passamos décadas ouvindo, diante numa crise na Malásia ou na Tailândia que era preciso arrochar mais o povo.

Pôde falar de igual para igual no mundo, pôde retomar seu petróleo, pôde parar de demitir, pôde retomar investimentos públicos, pôde voltar a investir em moradia, em saneamento, em hidrelétricas, em portos, em ferrovias, em gasodutos. Pôde ampliar o acesso à educação, ainda que abaixo do que mereça o povo, pôde fazer imensas massas de excluídos ingressarem no mundo do consumo e terem direito a sonhar.

Pôde, sim, assumir o papel que cabe no mundo a um grande país, líder de seus irmãos latinoamericanos.

O Brasil pôde ser, finalmente, o país em que seu povo não se sente um pária. Uma país onde o progresso não é mais sinônimo de infelicidade.

É por isso, Serra, que o Brasil não pode mais andar para trás. Não pode voltar para as mãos de gente tão arrogante com seu povo e tão dócil aos graúdos. Não pode mais ser governado por gente fria, que não sente a dor alheia e e não é ansiosa e aflita por mudar.

Não pode mais, Serra, não pode mais ser governado por gente que renegou seus anos mais generosos, mais valentes, mais decididos e que entregou seus sonhos ao pragmatismo, que disfarça de si mesmo sua capitulação ao inimigo em nome do discurso moderno, como se pudesse ser moderno aquilo que é apoiado pelo Brasil mais retrógrado, elitista, escravocrata, reacionário.

Há gente assim no apoio a Lula e a Dilma, por razões de conveniência-político eleitoral, sim. Mas há duzentas vezes mais a seu lado, sem qualquer razão senão a de ver que sua candidatura e sua eleição são a forma de barrar a ascenção da “ralé”. Onde houver um brasileiro empedernidamente reacionário, haverá um eleitor seu, José Serra.

Normalmente não falaria assim a um homem mais velho, não cometeria tal ousadia.

Mas sinto esta necessidade, além de mim, além de minha timidez natural, além de minha própria insuficiência. Sinto-me na obrigação de ser a voz do teu passado, José Serra. É um jovem que a Deus só pede que suas convicções não lhes caiam como o tempo faz cair aos cabelos, que suas causas não fraquejem como o tempo faz fraquejar o corpo, que seu amor ao povo brasileiro sobreviva como a paixão da vida inteira. Que o conhecimento, que o tempo há de trazer, não seja o capital de meu sucesso, mas ferramenta do futuro.

Vi um homem, já idoso, enfrentar derrotas eleitorais e morrer como um vitorioso, por jamais ter traído as idéias que defendeu. Erros, todo humano os comete. Traição, porém, é o assassinato de nós mesmos. Matamos quem fomos em troca de um novo papel.

Talvez venha daí sua dificuldade de dormir.

Na remota hipótese de vencer as eleições, José Serra, o senhor será o derrotado. O senhor é o algoz dos seus melhores sonhos.


(Brizola Neto)


Bela análise. Merece um destaquezinho no meu blog.
Eu ando lendo tanta coisa bacana dos outros, que nem tenho tempo de escrever as minhas coisas bacanas. "É tempo de meio silêncio", já dizia Drummond.


Galhos de árvores agora arranjaram um lugar novo, que se chama "o coração da Fernanda". É um condomínio fechado, um resort, um imóvel alugado pelos galhos de todas as árvores em férias. As que garantem seu oxigênio não estão aqui, estão no serviço (como se diz em São Paulo - serviço). E meu coração agora tem folhas, que não resistem ao vento canalizado pelos prédios e balançam, produzindo um ruído que não me deixa dormir. Então abri a janela da sala e fiquei olhando. E te digo sem sombra de dúvida: eu (agora que tenho galhos de árvores no meio do peito) sou capaz de ficar na janela para sempre. Como as moças das músicas, como as mulheres dos romances de banca de jornal. Sou capaz de ficar aqui até ver você indo embora; na mais louca de todas as alucinações que já tive.

( Dumbra )

Com amor,

quarta-feira, abril 21, 2010

A vida é mesmo um deboche com a nossa cara.

O Ted tem me surpreendido muito nesses últimos tempos. Pra quem não sabe, Ted é um amigo meu com quem eu brigo dia sim e dia também. Brigo por tudo, das coisas mais bobas até as coisas mais importantes. Eu já pensei em escolhê-lo, se pudesse escolher alguém pra assassinar e tal. Ele sempre me irritou com seu jeito prepotente e arrogantezinho de quem se acha o melhor do mundo. Seu jeito fresco de quem tem nojo até de celulite já me fez pensar se ele seria ou não um homossexual enrustido. Não que isso importe, mas aí eu iria achá-lo ainda mais covarde por não se assumir.

Enfim, nem sei porque o chamava de amigo até ontem. Agora eu sei.


Ele tem sido um puta amigo nesses dias difíceis. Tá cuidando direitinho da minha paz no trabalho. Tá fazendo o diabo pra evitar chateações e irritações pro meu lado. Tá me emprestando o ombro quando eu preciso de um lugar silencioso e quentinho.

Na real, acho que todo mundo sempre soube que seria assim. Menos eu.
Me perdoa, Regis, mas eu vou trocar o parentesco do seu texto e usar minha pequena-licença-poética-particular. É necessário.

Ela sempre esteve lá. Havia partido algum tempo antes, mas apesar da longa viagem que resolveu fazer, sempre permaneceu ali perto.
De todas aquelas situações em que deveria, estava lá sentada, olhando com aquele meio-sorriso e as fortes rugas de expressão no rosto.
Quando a primeira vez, fui correndo contar, com aquele brilho no olhar de adolescente descobrindo o mundo. No primeiro cigarro, mesmo com um certo descontentamento, surgia do meio da fumaça azulada (como poderia reprimir, sende ela mesmo uma habitante daquele mundo-que-se esvai?)uma expressão de sangue dividido. Aquelas madrugadas insônia, quando as páginas decoravam os olhos, estava lá com aquele olhar severo e suas frases peculiares de "resmungação". Quando a dança das palavras deu resultado e os cabelos viraram farra no chão, deu aquele abraço firme. E todas as lágrimas também foram divididas.
Em todas as decisões, das mais banais às revoluções, sempre ouvia e dava sua opinião em nossos diálogos imaginários.
Sempre soube o que dizer, ficando em silêncio.
Tudo poderia ter sido bem diferente. Sempre pode ser, mas o fato de você ter ido patrulhar em outras rodovias não a tornou ausente. Nunca tornará. Sempre vai estar ali com aquela expressão incerta, sorriso apertado e olhares doces.

O cheiro de rosas sempre me deixa triste, pastel de domingo me faz lembrar dos seus agrados e roupas passadas me lembram sorrisos. Não há um dia em que passe sem visita sua.
Super Heróis nunca morrem. Super-Heroínas também.
Distribuía gentilezas e sorrisos sinceros no decorrer de seus dias. Era naturalmente de boa índole. Desde cedo fora educado assim.
Ainda criança, cedia aos amigos sua vez na partida de pelada, no videogame e até na "salada-mista" com a menina de vestido floral.
Na adolescência, emprestava a bicicleta pra irmã, fazendo o percurso até em casa caminhando e por várias vezes assumia o sumiço do doce da geladeira, ainda que sequer tivesse visto. Não vivia assim como uma forma de auto-punição, muito pelo contrário.
Abria a porta para os outros, cedia a vez, fazia mesuras até aos pedintes de ponta de esquina. Fazia com prazer. Suportava as mais intensas provocações, sempre rebatendo com m sorriso de meia bochecha e um delicado "aaah eu discordo disso". Ate mesmo seu caminhado era sutil e silencioso, mesmo carregando no bolso aquele pesado molho de chaves que sempre o acompanhavam.
Agradava crianças e jovens, e os idosos o queriam adotar. Era esse tipo de gente, que se convida pro almoço logo que se conhece, e pro fim de semana antes que a o almoço acabe.
Um dia, vinha entrando com aquele sorriso de sempre, sem gestos exagerados, passos rapidos e silenciosos e a respiração perfeitamente ritmada sob a camisa branca e bem passada com um leve aroma de amaciante de lavanda. Ao chegar no meio do saguão, trocou as flores da mesinha e então abriu lentamente o paletó, deixando brevemente visíveis aquelas linhas bem distribuídas de de silver tape e dinamite, além de um cronômetro digital sobre o coração. Apertou o botão e com um breve clique mandou tudo pelos ares em uma estrondosa explosão.
Misturavam-se nacos de carne, pedaços do teto, paredes e vidro. Ninguém sobreviveu.
Teve uma vida interira de coração tranquilo e gentilezas, mas o coração de um Homem-Bomba bate uma vez só.


Do Regis Falcão.

Uma das melhores verves literárias que eu encontrei nessa vidinha-sacana. Nos conhecemos na internet (eu já disse que eu tenho amigos que deveriam estar na academia de letras?), e desde então, sou encantada com o seu jeito de se rasgar no papel.

Com os devidos créditos, obrigada.
E eu sigo fingindo que tá tudo bem pra não levantar suspeitas. Aquela coisa de despertar olhares de desespero daqueles que me amam e que, da minha forma meio alheia a tudo, eu amo também.
Vou, vou e vou disfarçando a vontade de não ter mais vontade pra que, talvez um dia, a vontade possa voltar. Quero estar pronta pro dia em que o presente se tornar passado.

Futuro?

Quem sabe.

Os planos não evaporam, eles ficam escondidos numa gaveta empoeirada, trancados com chaves marcadas por Chico Buarque e o seu delicado "O que será, que será..."

domingo, abril 18, 2010

O meu ouvido é o meu salto no escuro. Vozes, sou apaixonada por elas.
Talvez seja o fator que mais desperta o meu interesse num cara. Veja bem, eu
disse "desperta o meu interesse", e não "mantém o meu interesse". Sozinha, ela não é suficiente pra que eu me apaixone, mas sem ela, provavelmente, não rola nem um segundo aceno.

Voz de homem, homem mesmo, do tipo macho. Voz grossa mas sem exageros, doce mas não infantil, segura mas não prepotente, alta mas não ofensiva, com boa dicção mas não forçada, voz safada mas não pronográfica.

Não precisa ser, necessariamente, rouca, mas um chiadinho na garganta cai muito bem, obrigada.

Talvez por essa fixação, o primeiro telefonema sempre me causa
o mesmo frio na barriga que o primeiro encontro.

Sei lá, tem gente que gosta de mãos, pés, barrigas tanquinhos,
eu gosto de vozes, v-o-z-e-s. E se o dono da voz souber tocar violão e
cantar baixinho no meu ouvido, aí meu irmão, fodeu de vez.
Literalmente, fodeu.

Eu li uma vez alguma coisa do tipo " Não sei se tenho mais vontade
de morder a sua boca ou a sua voz."

É bem por aí.

Carpinejando

Quem pensa que está fora do amor entra. Quem pensa que está dentro sai. Ele engana sua força. Sobrepõe a memória dos sentimentos na memória dos fatos. É procurar cabelos para completar as mãos, é procurar o que não se viveu para contar. É esperar o sol aquecer o lado ileso da cama. É não apagar direito a ausência, a letra, o cheiro. É insistir com respostas sem as perguntas. É podar o arbusto de água. É pão ruivo antes do mel. É idioma acumulado nas calhas. Não há descrição fiel que o possa explicar. Adiar o amor ainda é cumpri-lo. Fingir que não se sente é exercê-lo. Desdenhar é elogiar. Ofender é trocar palavras. Odiar é desesperar o atraso. O amor devora os sobreviventes. Não lembra do pente, da navalha, da tesoura de unhas, do jornal, do abajur. O amor não lembra do que precisa. Amor é não precisar de nada. É precisar do que acontece depois do nada, ainda que não aconteça. A fraqueza é força física. O endereço é genealogia. O amor confunde para se chegar ao mistério. Embaralha para não se ouvir. Perde-se no próprio amor a capacidade de amar. Quanto mais violento o primeiro amor, mais difícil será o segundo amor. Quanto mais violento o último amor, mais calmo é o primeiro amor. As frutas postas na mesa não estão à espera da fome, ainda estão à espera da árvore. A fome é uma árvore que cresce deitada e arranca o telhado do corpo. Amor é comer a fruta do chão. O chão da fruta. O amor queima os papéis, os compromissos, os telefones onde havia nomes. O amor não se demora em versos, se demora no assobio do que poderia ser um verso. O amor é uma amizade que não foi compreendida, uma lealdade que foi quebrada; o amor é um desencontro por dentro.


.


Um menino revirava o peixe com um galho, revidava, dissecava o peixe por todos os lados e gritava: Cadê o olho? Cadê o olho? Eu não sinto pena do que não fui capaz de viver. Não sinto pena. Falhar é também necessário. Não desejo me isentar de mim para enxergar. Eu quero enxergar comigo dentro. O menino resmungava escamas a procurar o olho que não morreu junto do peixe. O olho que não foi pescado. Cadê o olho? O olho deveria ser um Deus ou um pai ou uma mãe ou um carretel e suas barbatanas compridas. O olho não era o mar, mas sua aparência de musgo. O olho era o que o mar não via. Saber o que somos não amplia o espaço. Talvez até o diminua. A gente protege o que somos e recuamos. Quando se acaricia um rosto, se ergue a mão em um juramento distraído. O menino pensou que um cão levou o olho direito do peixe, não havia cão por perto. O menino se viu enganado e não poderia entender a expressão "olho morto de peixe" que o chamavam na escola. Eu não queria dizer nada para enfim dizer alguma coisa que não soubesse. Desejo me exigir sem a necessidade de palavras. Me amarro numa crença, num livro, numa música. Mas uma vida inventada não vale o susto de um engano. Um amor pode ser maior do que a própria fé no amor. O que fui não é uma fatalidade, mas uma escolha que não terminou. Cadê o olho? O que não é encontrado é o que mais vive.


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A Ana não guarda as cartas de amor.
Ela quer achá-las de repente. Em outro dia, em outra idade. Dentro de um livro, na gaveta, na bolsa.
A Ana se guarda para as cartas de amor.





Pois é, eu ainda tenho um excelente gosto literário.