domingo, julho 06, 2008

Aos Berros

Fernanda, libriana, 23 anos.

Impulsiva, indecisa, instável, intensa e injusta (sim, gosto de palavras que começam com in/im).
Dramática, egocêntrica, preguiçosa e sacana. Rainha dos micos em extinção e confusões inesperada. Desligada, totalmente desligada, daquelas que se pergunta o que está acontecendo sem saber que o que está acontecendo está acontecendo comigo.

Diz a lenda que eu só silencio três dias antes de cometer a maior burrada da minha-vida-da-semana. Toda semana.

Viciada em cigarros e cafés, o álcool eu estou eliminando da minha existência. Aos 23, decidi que só quero morrer de dois cânceres ( Mas antes preciso descobrir se câncer tem plural).

Apaixonada por cafés da manhã de hóteis, mas tanto e tanto, que só consigo definir se a noite foi boa no dia seguinte, fumando meu café e bebendo meu cigarro perto da janela (ou vice-versa). Me ensinaram assim na República.

Paulista fissurada pela cidade de São Paulo. Nenhuma praia do caribe bate a beleza do contraste dos prédios enormes e cinzentos fazendo sombra no céu azul da avenida paulista (Torcendo por dias de sol, pra esse clichê fazer sentido).

Odeio qualquer tipo de ostentação. Gente que come-dorme-respira dinheiro deveria morrer empalado por uma espada cravejada de diamantes. "Cadelinhas de Madame" me enojam.

Tenho um cachorro chamado Hugo que dizem, parece um ponei. Recentemente ele ficou preso na cerca do quintal tentando fugir de um gato. Eu também já fiquei presa na cerca do quintal, mas não conto do que estava fugindo. Provavelmente ele aprendeu comigo.

Sou anti-social e estranha, meus amigos dizem. Mas a verdade verdadeira é que sou chata. Não gosto de qualquer pessoa, nem de qualquer programa, nem de qualquer comida, nem de qualquer banda, principalmente de qualquer banda. Tenho certeza que o meu gosto musical é o melhor do mundo, e minhas roupas de dez-reais-de-brechó as mais estilosas do planeta, embora as pessoas insistam em dizer que eu sou apenas... estranha.

Chorei assistindo Pulp Ficton. Chorei lendo 1984. Chorei ouvindo I Want To Hold Your Hand. Mas não choro quando um parente ou amigo morre.
Chorei furando o nariz, mas não chorei quando fiquei 5 horas sendo furada por uma agulha quando fiz minha primeira tatuagem. Três meses depois tirei a porra do piercing. O buraco ainda não fechou.

Tenho tendência a lançar tendências de comportamento, embora as pessoas insistam em dizer (2) que é apenas meu umbigo crecendo mais rápido que o mundo.

Gosto de falar de assuntos interessantes. Sobre mim, por exemplo.
E gosto de situações descompromissadas.

Já me disseram que em pleno século 21 eu ainda vivo como se estivesse no Woodstock. Ou em qualquer quadrado que simbolize o sexo-e-amor-livre, só porque o meu conceito de lealdade e fidelidade é um pouco, assim, hum, é...assim. Bendito sejam meus poucos amigos que me perdoam por eles. Em todo caso, não me apresente seus namorados se eles forem músicos e/ou cineastras charmosos e frustrados. Se tiverem costeletas-barba-por-fazer-óculos-e-usarem-all-star, aconselho se fingir de morta pra mim pelas próximas 69 reencarnações. Embora (adoro a palavra embora, vai virar moda) não acredite nelas.

Não saio de casa sem óculos escuros. Choro em ônibus-trens-mêtros. Sempre esqueço alguma coisa em algum lugar. Incluindo pessoas.

Eu aprendi a perdoar na marra. Eu aprendi a me cuidar na marra. Eu aprendi a me calar na marra. Eu só aprendo na marra.

Meu melhor amigo foi o cara que me levou pro inferno pela primeira vez. Ele sabe disso. A gente só não sabe explicar até hoje como nos tornamos espelho um do outro. Quando ele me chama de pequena, o resto do mundo que se foda.

Tenho admiração gigante por um cara que é oposto do que eu sou e que me acha um lixo de mulher. Sinto vontade de um dia dizer isso a ele. Enquanto não chega esse "um dia", continuo lendo os textos dele e pensando "Puta Que O Pariu!"

O cara por quem eu mais chorei na vida morre de amor pelos seus cachorros e eu nunca consegui abraçá-lo. Nunca-Ainda.

Eu fui sacana com o cara que mais gostou e cuidou de mim. E foi aí que eu saquei que nem sempre a gente tem uma segunda chance e é preciso aprender a conviver com isso. Na marra.

Talita e Patrícia são nomes que rimam com a definição: mulheres da minha vida.
Já tive outras rimas, mas que, com o tempo e as verdades, destoaram do verso.
Tô descobrindo agora que o nome Camile rima com cumplicidade, e cumplicidade é a melhor rima pra amor.

Em público, eu demonstro odiar um dos meus melhores amigos. Mas defendo até a morte o direito que só eu tenho de poder ofendê-lo. É assim que gosto das pessoas que eu mais gosto. Nas farpas.

Algumas das declarações mais bonitas que já me fizeram foram comparações do tipo: Azeite quente escorrendo pela pia, solo rouco de saxofone, e rascunho de uma grande mulher que ainda não está pronta.
É, só a criatividade salva amém.

Boa parte da vida eu aprendo com Caio Fernando Abreu e Belchior. A outra parte eu aprendo errando e me fodendo. E a outra parte da outra parte desconfio que não vou aprender nunca.

Sim, a vida tem três partes. Aliás, acho que o melhor número pra tudo na vida é três.

Paixões cadelas. Amores putos. Caminhos tortos. Vícios incuráveis. Quereres intensos.

Isso e a naturalidade de se gostar de alguém.


"Eu te amo, seu filho da puta!"


A vida só faz sentido assim, aos berros.


Boa sorte e adeus.

3 comentários:

anjo disse...

Eu sou a pessoa que "pré-vê" as merdas da Fê. Eu sou o amigo que ela insulta amando... Eu sou o cara que fez ela criar o blog...

Eu odeio ela, amém.

Renato disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Camile disse...

Depois do que o Renato comentou, tudo que eu dissesse se tornaria vazio.

Bebê, só não se esqueça que amo você.